Abuso não! Informações para prevenção de violência sexual na infância
Abuso não! Desde que fiz o vídeo Pipo e Fifi – prevenção de violência sexual para crianças, percebi o crescente interesse do público do canal nesse assunto. O vídeo viralizou no facebook e whatsapp, muitos demonstraram interesse em comprar o livro e espalhar o conteúdo pra mais e mais pessoas. A mesma coisa aconteceu quando fiz a resenha sobre o livro Não me toca, seu boboca!. Foi então que pensei que seria interessante fazer mais um vídeo falando sobre prevenção de violência sexual e também esse post para concentrar todas as informações que já coloquei aqui no blog a respeito e outras que podem surgir a partir de então. Livros e cartilhas impressos Pipo e Fifi – prevenção de violência sexual para crianças – é uma ferramenta de proteção que explica às crianças a partir de 4 anos conceitos básicos sobre corpo, sentimentos e emoções. Ensina a diferenciar toques de amor e toques abusivos, apontando caminhos para o diálogo, proteção e ajuda. Pode ser comprado nesse link. Pipo e Fifi para bebês – é uma versão do livro Pipo e Fifi, dirigida às crianças da Educação Infantil e Creche, seguindo a mesma metodologia lúdica de proteção. Esse link também traz informações sobre como reconhecer em crianças tão novas comportamentos que sinalizam abuso sexual. Não me toca, seu boboca! – livro infantil que trata do abuso sexual infantil. Um “tio” bonzinho que encantou a todos os animais do bairro, brincando e dando-lhes presentes. O segredo de Tartanina – coloca em evidência a vulnerabilidade infantil através da exploração do tema bullying. Guias e cartilhas na internet Violência sexual contra meninos – nesse link são abordados alguns mitos, que todos absorvem até certo ponto, especialmente meninos e homens que tiveram experiências sexuais indesejadas ou abusivas. Aqui ninguém toca é um projeto do Conselho Europeu. – A regra “aqui ninguém toca”é um guia simples para ajudar os pais a explicarem aos seus filhos que partes do corpo não devem ser tocadas por outras pessoas, como reagir se isso acontecer e onde procurar ajuda. Keeping children safe – guias e atividades específicos para pais, crianças e profissionais cuidadores, em inglês. Vídeos Defenda-se – uma campanha composta por uma série de seis vídeos, voltados para a autoproteção de crianças e adolescentes de 5 a 11 anos. É baseada nos conceitos da “Versão Amigável”, que não foca a violência em si, mas a proteção e a defesa. Realizada pelo Centro Marista de Defesa da Infância e Lumen Comunicação em parceria com a Fundação de Ação Social de Curitiba. Fafá conta Pipo e Fifi – contação da história do livro para crianças que devem estar acompanhadas de adultos de sua confiança. Fafá conta Não me toca, seu boboca! – contação da história do livro para crianças que devem estar acompanhadas de adultos de sua confiança. Podcast Pedofilia – o episódio 123 do Mamilos Podcast trouxe uma conversa sobre a dimensão médica e legal dos comportamentos pedófilos para entender como podemos construir uma sociedade mais segura para as nossas crianças. Para adolescentes Tuca e Juba – Prevenção de Violência Sexual para Adolescentes – Um livro que convida as garotas e os garotos a pensarem sobre consentimento, relacionamentos, autoestima e sentimentos, utilizando toda a linguagem visual e digital da era da internet e redes sociais. Com personagens que desconstroem estereótipos e se aproximam da representação de pessoas reais, com toda a potência da diversidade, a obra é uma poderosa ferramenta de prevenção da violência sexual que dialoga de forma honesta e descomplicada com as leitoras e os leitores. No site é possível encontrar a versão digital e ter acesso ao conteúdo completo e também a possibilidade de comprar o livro físico. Autora: Julieta Jacob No s Como e onde denunciar Disque 100 – Serviço de proteção de crianças e adolescentes com foco em violência sexual, vinculado ao Programa Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes, da SPDCA/SDH. Basta discar o número 100 (é gratuito e aceita denúncias anônimas). Proteja Brasil – Esta iniciativa do UNICEF permite que sejam feitas denúncias diretamente por um aplicativo disponível para android e IOS, além de localizar os órgãos de proteção nas principais capitais e ainda se informar sobre as diferentes violações. As denúncias são encaminhadas diretamente para o Disque 100. Safer Net – Ong que criou um canal de denúncias de crimes na web, e pornografia infantil é o tema mais denunciado. Dica de profissional A Caroline Arcari, fez um post no facebook dela que pedi para compartilhar aqui com vocês, aí vai: *A Caroline Arcari é a autora do livro Pipo e Fifi, pedagoga e educadora sexual, especialista em Educação Sexual pelo CESEX e mestre em Educação Sexual pela UNESP. Tem muita gente me pedindo um parecer sobre os novos livros sobre violência sexual que estão saindo no mercado editorial. É uma grande alegria o despertar das pessoas para a necessidade de falarmos sobre esse assunto com as crianças. Para que elas criem ferramentas para detectar a diferença entre toques de afeto e toques abusivos. A autoproteção, como é chamada essa abordagem, é uma das formas mais eficazes de enfrentamento da violência sexual, sabia? Então, aí vão as orientações na escolha do livro: Tem livro incrível e tem livro com conteúdo duvidoso. Cabe à família e educadoras/es prestar atenção na qualidade do texto e ilustrações. Alguns livros, apesar da boa intenção, acabam reproduzindo estereótipos que se afastam da realidade. Abusadores com cara de malvado, pegando a criança à força, com aparência assustadora e ameaçadora. A maioria dos autores da violência são gentis, amáveis e conhecidos da criança e isso PRECISA ser dito a ela. Alguns livros tratam a violência de forma muito subjetiva. Termos como “toques estranhos”, “carinhos esquisitos” são muito confusos. Quanto mais nova a criança, mais assertiva precisa ser a linguagem. Selecione livros que informem sobre partes íntimas. Que revelem como são os toques abusivos e que abordem questões como segredo e busca de ajuda. Prefira livros cujos personagens contemplem ambos os gêneros. Livros que mostram apenas meninas sofrendo
“Não me toca, seu boboca!”: um livro pra conscientizar crianças sobre o abuso sexual
Ferramentas pra prevenção do abuso sexual na infância e adolescência Eu estava curiosíssima pra conhecer esse novo lançamento da Editora Aletria e ele chegou pra mim nesse final de semana. Não me toca, seu boboca! trata do abuso sexual infantil e conta, em primeira pessoa, uma situação difícil pela qual a coelha Ritoca passou: um “tio” bonzinho, que há pouco se tornou seu vizinho e encantou a todos os animais do bairro, brincando e dando-lhes presentes. Não demorou pra que o “tio Pipoca”, como era chamado, convidasse os pequenos pra passarem uma tarde em sua casa, com muita diversão e apenas uma condição: não contar pra ninguém! Claro que ele estava mal intencionado, mas que criança desinformada é capaz de perceber isso? Lá se foi a turminha brincar na casa do “tio” e foi assim que… Quando estávamos sozinhos, ele disse com tom de voz diferente: “você é bem bonitinha…” Mexeu na minha orelha para ver o brinco que eu tinha. Quis olhar a minha boca “pra ver se faltava dente”, foi pegando no meu pescoço, pedindo que eu não fizesse alvoroço… É de arrepiar a espinha, ainda mais que as ilustrações, embora muito bonitas, são bem fortes. Ritoca consegue se livrar da situação gritando e pedindo a ajuda dos amigos, mas sabemos que nem sempre as crianças ou adolescentes têm condições de perceber que estão passando por uma situação de violência e que não devem permitir se submeter a essas circunstâncias. Fácil identificação e alertas Esse é o lance legal do livro: apresenta uma situação bem corriqueira, que a maioria pode facilmente identificar caso passe por algo semelhante. O livro ainda apresenta algumas ilustrações do que seriam situações “proibidas” e traz alertas de atitudes suspeitas e que não devem ser aceitas. É uma leitura bem importante e necessária, mas que deve ser feita na companhia de um adulto, para que depois exista uma boa orientação e conversa a respeito. É importante também que as crianças conheçam seus corpos, saibam quais são as partes íntimas, como cuidá-las, quem pode ou não tocá-las, em quais situações e como. Para isso, Pipo e Fifi é um livro muito bacana – já falei dele aqui no blog e contei a história no canal (que até viralizou no facebook e whatsapp!). Informando com acompanhamento Acho que as ilustrações de “proibido” não ficam tão claras se não forem bem explicadas por adultos mediando a leitura. Por exemplo: a imagem inferior da página 31 (retratada acima) pode ser entendida como uma mãe ajudando o filho a se trocar e isso não é proibido. Se observarmos com atenção, a expressão do cavalo não é das mais amigáveis, então podemos concluir que ele está mal intencionado, mas isso pode passar batido numa leitura rápida. Por isso vou frisar aqui a importância de deixar beeeem claro o que pode ou não, elucidar o que é “agir errado”, o que é “fazer maldade” etc. Informação e conhecimento são excelentes armas para a prevenção da violência e do abuso sexual! Bora informar a criançada. Não me toca, seu boboca! De Andrea Viviana Taubman e ilustrações de Thais Linhares. Editora Aletria. Complemente a leitura Um livro bem bacana que pode complementar a leitura do “Não me toca, seu boboca!” é Pipo e Fifi – prevenção de violência sexual para crianças e que eu já contei no canal. Disque 100: serviço de proteção de crianças e adolescentes com foco em violência sexual, vinculado ao Programa Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes, da SPDCA/SDH. Basta discar o número 100 (é gratuito e aceita ligações anônimas); Proteja Brasil: Esta iniciativa do UNICEF permite que sejam feitas denúncias diretamente por um aplicativo disponível para android e IOS, além de localizar os órgãos de proteção nas principais capitais e ainda se informar sobre as diferentes violações. As denúncias são encaminhadas diretamente para o Disque 100. Dica de profissional A Caroline Arcari, fez um post no facebook dela que pedi para compartilhar aqui com vocês, aí vai: *A Caroline Arcari é a autora do livro Pipo e Fifi, pedagoga e educadora sexual, especialista em Educação Sexual pelo CESEX e mestre em Educação Sexual pela UNESP. Tem muita gente me pedindo um parecer sobre os novos livros sobre violência sexual que estão saindo no mercado editorial. É uma grande alegria o despertar das pessoas para a necessidade de falarmos sobre esse assunto com as crianças. Para que elas criem ferramentas para detectar a diferença entre toques de afeto e toques abusivos. A autoproteção, como é chamada essa abordagem, é uma das formas mais eficazes de enfrentamento da violência sexual, sabia? Então, aí vão as orientações na escolha do livro: Tem livro incrível e tem livro com conteúdo duvidoso. Cabe à família e educadoras/es prestar atenção na qualidade do texto e ilustrações. Alguns livros, apesar da boa intenção, acabam reproduzindo estereótipos que se afastam da realidade. Abusadores com cara de malvado, pegando a criança à força, com aparência assustadora e ameaçadora. A maioria dos autores da violência são gentis, amáveis e conhecidos da criança e isso PRECISA ser dito a ela. Alguns livros tratam a violência de forma muito subjetiva. Termos como “toques estranhos”, “carinhos esquisitos” são muito confusos. Quanto mais nova a criança, mais assertiva precisa ser a linguagem. Selecione livros que informem sobre partes íntimas. Que revelem como são esses toques abusivos e que abordem questões como segredo e busca de ajuda. Prefira livros cujos personagens contemplem ambos os gêneros. Livros que mostram apenas meninas sofrendo abuso sexual podem reproduzir o mito de que meninos raramente são vítimas. Estatisticamente, até 27% dos meninos e 36% das meninas sofrem algum tipo de violência sexual até os 12 anos de idade. No mais, é incrível ter variedade de materiais e obras sobre essa temática. Pra quem está na área da prevenção, sabe o quanto lutamos diariamente para que essa temática encontre espaços na escola, nas famílias e em outros contextos educativos. Aqui estão livros e materiais que eu adoro, além dos meus filhotes Pipo e Fifi: Projeto do Conselho