Flávia Scherner, a Fafá, sorrindo diante de uma estante de livros
Quem sou

Flávia Scherner, a Fafá.

Atriz, contadora de histórias, autora de livros infantis, especialista em Contação de Histórias e Literatura Infantil e Juvenil. Curitibana e mãe de duas crianças incríveis.

Secretária, tecelã de tear manual, designer, ilustradora, atriz, apresentadora: tive todas essas profissões antes de virar contadora de histórias. E a minha história eu não vou contar pelo começo. Vou começar pelo meio.

No meio dessa história, eu estava triste. Sonhava ser uma atriz famosíssima, amiga da Fernanda Montenegro, com tantas indicações ao Oscar quanto a Meryl Streep (eu treinava o discurso no espelho). Depois de três anos em São Paulo apresentando o Zoom, um programa sobre cinema na TV Cultura, voltei pra Curitiba pra retomar o teatro. Entrei de novo na minha companhia e achei que nada podia dar errado. Mas os trabalhos foram rareando, o dinheiro também, e eu fui parar no escritório de arquitetura da minha mãe e da minha madrinha, pedindo uma mesa pra trabalhar de novo como designer. Não era o que eu queria.

Fafá entrevistando o ator Tarcísio Filho para o programa Zoom, da TV Cultura
Entrevistando o Tarcísio Filho pro Zoom, na TV Cultura

Uma noite, chegou uma mensagem da minha amiga Lu: ela queria que eu contasse a história de Os Entalados no aniversário de 1 ano da filha dela. Os Entalados era a história que a minha mãe inventou pra eu dormir. A gente contava juntas, ela virou livro, eu ilustrei, e a gente contou essa história pras crianças de um hospital. Eu achava que era a única história que eu sabia contar.

O aniversário que mudou tudo

Fui de peruca roxa, saia de tule e um monte de adereços. As crianças não deram muita bola, e eu não sabia se lia o livro ou se contava do meu jeito. Mas, nos poucos momentos em que elas prestaram atenção, aconteceu uma conexão, e eu voltei pra casa com uma frase na cabeça:

"Acho que tem algo aqui."Eu, em junho de 2015

Na semana seguinte, colei um recado no elevador do prédio onde eu morava com o meu pai: apresentação de contação de histórias de presente de férias pras crianças. Fui sem figurino, com um livrinho preso na cabeça, que ia virar a antena captadora de histórias. Contei três histórias, as crianças embarcaram junto comigo e ninguém queria que acabasse.

Fafá apontando a antena captadora de histórias na cabeça
A antena, sempre comigo

Como atriz, eu gostava de me esconder atrás de um personagem. Ali descobri que, quanto mais eu era eu mesma, mais verdade e mais conexão a história tinha. E aí tudo se juntou: a atriz que sabia usar a voz e o corpo, a apresentadora que tinha perdido o medo da câmera, a designer e ilustradora que pensava em imagem, a menina que cresceu ouvindo histórias.

"De repente tudo fez sentido, toda a minha trajetória."Eu, na Oficina Fafábulosa, em 2022

Essa menina subiu num palco pela primeira vez com 1 ano de idade e cresceu ouvindo histórias do pai, da mãe e do avô Paulo, que contava causos do Pedro Malasartes e inventava palavras como "semisconfláutico". O apelido veio da minha irmã, Caro: pequena, ela tentava dizer "Flá" e saía "Fafá".

Fafá criança, de vestido dourado, num palco de teatro
Eu, com 9 ou 10 anos, de vestido dourado

Em julho de 2015 nasceu o canal Fafá Conta. Depois fiz uma pós-graduação e me tornei especialista em Contação de Histórias e Literatura Infantil e Juvenil. E a fafamília foi crescendo.

Em março de 2020, no começo da quarentena, resolvi ler livros ao vivo nas redes achando que ia durar uns quinze diazinhos. Em poucos dias, o meu Instagram passou de 30 mil pra mais de 140 mil seguidores e a história foi parar no Fantástico.

Em 2021 saiu o meu primeiro livro como autora, Dadó é ranzinza e tem sua própria nuvem cinza, um personagem que eu tinha rabiscado num caderno dez anos antes, e fui jurada do Prêmio Jabuti, na categoria infantil. Em 2022 virei mãe de duas crianças maravilhosas.

Hoje o canal segue vivo, com histórias novas, e as mesmas histórias também viraram podcast, pra ouvir no caminho da escola, no carro ou antes de dormir. Em 2023 criei o Clube Fafá Conta, um lugar seguro e sem anúncios pras crianças ouvirem e assistirem histórias. Já formei mais de 10 mil pessoas nos meus cursos e já levei palestras, formações e espetáculos a escolas, Sescs e secretarias de educação em 12 estados. Em 2025 participei do Circuito Sesc Arte da Palavra, lancei Uma história muito semisconfláutica (sim, a palavra do meu avô virou livro) e comemorei 10 anos de Fafá Conta.

Fafá no palco da Semana da Educação Infantil de Itabira (MG)
Itabira (MG), 2023

No que eu acredito

  • No potencial das crianças. Elas entendem muito mais do que a gente imagina e merecem histórias inteiras, com palavras difíceis, medos, lobos e bruxas.
  • No direito de imaginar e criar. Toda criança tem direito de inventar mundos, e uma boa história abre a porta.
  • Que histórias são alimento. Elas nutrem a gente: ajudam a crescer, a dar nome ao que se sente e a chegar mais perto de quem está do lado.

Umas coisas que pouca gente sabe

  • O primeiro show que eu vi foi o Bon Jovi, em 1995, na Pedreira Paulo Leminski. 25 anos depois, me apresentei no mesmo palco.
  • O meu primeiro trabalho pago como contadora de histórias foi num Halloween de condomínio.
  • O Dadó levou dez anos do rabisco ao livro.

Pra imprensa e contratantes

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Minibio curta

Quando a antena da Fafá aponta pro céu, o público já sabe: vem história boa por aí. Flávia Scherner, a Fafá Conta, é atriz, contadora de histórias e especialista em Contação de Histórias e Literatura Infantil e Juvenil. Desde 2015 conta histórias no canal Fafá Conta, confiando na potência das infâncias e sem infantilizar os temas. Já levou espetáculos, palestras e formações a escolas, Sescs e eventos em 12 estados.

Minibio longa

Flávia Scherner, a Fafá Conta, é atriz desde 2005, designer formada pela UFPR e especialista em Contação de Histórias e Literatura Infantil e Juvenil. Apresentou o programa Zoom, na TV Cultura, e em 2015 criou o canal Fafá Conta, no YouTube. É autora de Dadó é ranzinza e tem sua própria nuvem cinza (2021) e Uma história muito semisconfláutica (2025), ilustrou Os Entalados e foi jurada do Prêmio Jabuti em 2021. Já formou mais de 10 mil pessoas nos seus cursos de contação de histórias, criou o Clube Fafá Conta e já levou palestras, formações e espetáculos a escolas, Sescs e secretarias de educação em 12 estados. Em 2025, participou do Circuito Sesc Arte da Palavra. É curitibana e mãe de duas crianças maravilhosas.

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