Cachinhos de Prata, história sobre Alzheimer e perda de memória pra crianças

Era uma vez Cachinhos de Prata, uma avó, e seus três netos que se amavam muito. Sempre aos domingos os netos iam visitá-la, mas naquele dia tudo estava diferente. A avó dos meninos não mais os reconhecia. Com um texto poético e repleto de afeto Leo Cunha fala sobre a perda de memória, o envelhecimento, a relação avó e netos e como o amor pode nos ensinar a lidar com os limites impostos pelo esquecimento. Fafá conta: Cachinhos de Prata, livro de Leo Cunha com ilustrações de Rui de Oliveira, publicado pelas Editoras Paulinas. Compre o livro Ouça também Guilherme Augusto Araújo Fernandes
4 livros de Leo Cunha pra encantar crianças e adultos
Ontem teve um bate-papo bacanérrimo com o autor Leo Cunha na Biblioteca Pública do Paraná, num evento realizado pela FATUM, instituição onde faço uma pós em literatura infantil e juvenil e contação de histórias. O autor contou histórias e curiosidades de seus livros e foi possível conhecer ainda melhor suas obras. Fiquei tão maravilhada que agora quero compartilhar com vocês um pouco do que foi esse encontro através de alguns de seus livros. No final do post ainda tem um vídeo com a leitura que ele fez de uma de suas obras! Só de brincadeira Esse livro é um lançamento fresquinho, ilustrado pela Anna Cunha e publicado pela editora Positivo. Reúne poemas em que o brincar é o tema. Faz a gente voltar no tempo das brincadeiras de roda, amarelinha, pega varetas. Valoriza o brincar na rua, na troca com outras crianças, o brinquedo que faz a gente mexer o corpo, ser desafiado, pensar e crescer. As ilustrações são uma lindeza!!! Delicadas, com uma paleta de cores que acolhe e conforta. Me deu uma vontade de pular dentro do livro e viver naquele mundo bonito que ele apresenta. Uma delícia de leitura, em que o texto também brinca com o leitor. Num mundo perfeito Achei curiosíssima a forma como esse livro surgiu. Salmo Dansa, ilustrador dessa obra, tinha terminado de ilustrar um livro de Luiz Antonio Aguiar. O livro já estava indo pra gráfica, pronto pra ser impresso, quando ele refez todo o trabalho, propôs novas ilustrações pro livro inteirinho. Mas a editora falou que já era tarde pra mudar e eles já tinham aprovado e gostado do que ele tinha apresentado anteriormente. Sendo assim, o Salmo tinha um livro inteiro ilustrado, precisando de um texto! O Leo Cunha ficou sabendo disso, pediu as ilustrações e pá: nasceu “Num mundo perfeito”, publicado pelas editoras Paulinas. O livro narra a história de George, um garoto multitalentoso. Ele plantava bananeiras como ninguém, desenhava muito bem, decorava poemas compridos, fazia castelo de cartas, contava anedotas, tocava instrumentos só de ouvido. George teria tudo para ser um menino feliz! Mas ele queria ser mágico e essa arte ele não dominava. Isso o deixava extremamente chateado e insatisfeito. Até o dia em que ele vai a um hospital, e com todos seus talentos, entretém as crianças lá internadas, e é chamado de “George, o mágico da alegria”! As ilustrações fazem referência ao filme “Viagem à Lua“, de George Meliés (e imagino que foi assim que o personagem ganhou o nome George). Não consegui descobrir qual foi o livro que inspirou esse trabalho do Salmo, nem o Leo soube me dizer, porém, que rendeu uma bela história, cheia de aprendizados, rendeu. Um livro super legal pra refletirmos sobre nossos talentos, pra aprendermos a ser mais generosos com nós mesmos e que a perfeição depende do nosso ponto de vista. Cachinhos de Prata O bate-papo foi encerrado com o Leo fazendo a leitura desse livro. Uma leitura que emocionou ele e a todos presentes. Cachinhos de Prata é o apelido de uma vó cheia de carinhos e histórias, dado, carinhosamente, pelos seus três netos. Todos os domingos eles visitavam a avó e eram recebidos com muito aconchego. Um dia, porém, é o avô que atende à porta. A vó estava na cama e quando os netos se aproximaram, ela não lembrava deles. Começa um momento cheio de lembranças em que os netos narravam o que tinham aprendido com a vó, numa tentativa de fazê-la lembrar deles. O neto mais novo tinha uma voz mais fina e explicou: – Eu sou o seu neto caçula. A senhora me ensinou a colher margaridas. E mostrou o buquê que eles tinham trazido para ela. – Mas eu não gosto de flores! – disse Cachinhos de Prata Uma história tocante, que trata do Alzheimer sem precisar tocar no nome da doença, sobre envelhecimento, esquecimento e memória com muita delicadeza e poesia. Vale observar as ilustrações de Rui de Oliveira com atenção. O avô, pouco citado no texto, se faz bem presente pelas ilustrações que retratam um pouco da sua dor. As folhas, que estão sempre caindo pelas páginas, são uma metáfora pras lembranças que vão embora, como as folhas no outono. O desenho da avó é inspirado na figura de Cora Coralina e do avô no Manuel Bandeira. Esse livro foi publicado pelas editoras Paulinas. Conheça também: Um dia, um rio, uma história sobre o desastre em Mariana.
Como falar do desastre do Rio Doce para crianças – Um dia, um rio

Uma tragédia retratada com beleza Leo Cunha, autor de Um dia, um rio, foi convidado pela editora Pulo do Gato para escrever um livro infantil sobre o desastre do Rio Doce. E é com um poema lindo e emocionante que ele dá voz ao rio, que conta sua história em primeira pessoa. De forma poética, ele fala sobre a influência do rio na sua cidade. Sobre como os pescadores se enchiam de histórias, as florestas se refrescavam e as crianças brincavam. A gente vai se enchendo de beleza com a vida e a importância daquele Rio, que era Doce. Até que o desastre acontece e ele se torna amargo. Um rio de lama, chumbo e cromo. As ilustrações de André Neves são fortes, expressivas, nos tocam profundamente e dão ainda mais força à história. Um dia, um rio é um trabalho incrível, lindo e carregado de sentimento. Como já sabemos, o rio morre. Ele fica triste e não tem como a gente não ficar triste junto lembrando de toda a tragédia e das vidas afetadas. A natureza e o rio choram. E a gente chora também, ao ler e se lembrar. Mas, como a esperança é a última que morre, ela está bem viva no final do livro. Que é lindo, já falei, né? E você vai contar essa história, Fafá? Eu te respondo: siiiim! Como foi amor à primeira lida, desde que conheci o livro que quero contá-lo. Então anotem na agenda: sábado, dia 12 de agosto, vai ter Fafá conta “um dia, um rio” no canal! ATUALIZADO: Assista aqui! *** Gosta do meu trabalho? Seja um apoiador! Seja um Fafã e receba por emails as novidades do blog, ofertas de livros infantis e atualização da minha agenda de contações ao vivo. 🙂 Salvar Salvar Salvar Salvar Salvar