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O fantástico arroz de Filomena

Conquistando pelo estômago

Li essa história e lembrei de um causo meu: minha vó é nordestina e um dos pratos típicos que ela costuma preparar, desde que eu me lembro, é o tal do bobó de camarão. Eu, fresca que era, olhava pro bobó que – vamos combinar – tem uma cara não muito amigável e torcia o bico falando “não gosto”. Nunca tinha experimentado o prato mas já não gostava.

Eis que com 15 anos fui para São Paulo pra um evento do colégio e uma família me hospedou em sua casa. O prato especial preparado para me receber? Bobó de camarão feito-especialmente-pra-você-Flávia! Eu sou educada, né? Sorri, agradeci – me enchi de coragem – e comi. Dizer que eu gostei não faz jus. Eu amei. Eu repeti o prato, eu me esbaldei e me arrependi de ter passado 15 anos da minha vida sem nunca ter comido o bobó da minha vó. Desde então esse é meu prato favorito. Verdade. Perguntem pra minha vó, Dona Grace. Com essa eu aprendi a (tentar) não julgar um prato pela aparência e experimentar as comidas antes de falar que não gosto.

Tá, mas vamos ao livro?!

Não, o livro não fala sobre as dificuldades que os pais passam para fazer seus filhos comerem saudável ou experimentarem novos sabores. Fala sobre quebra de preconceitos.

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Filomena é uma mulher descrita como feia devido à sua corcunda, os cabelos desgrenhados e as roupas sujas. Mas, já diz o ditado que quem vê cara não vê coração, né? Por puro preconceito, os habitantes da cidade não gostavam de Filomena e, por conta disso, não sabiam as delícias fantásticas que estavam perdendo. Pra citar o livro, não sabiam das comidas deliciosásticas que a mulher preparava.

Ninguém queria saber da Filomena e ela vivia sozinha numa casa na floresta. Bem… sozinha não, ela estava sempre bem acompanhada dos mais fantásticos seres dali: trolls, sacis, lobisomens, ninfas e os animais que moravam pela região. Eles não se importavam com a aparência de Filomena e se deliciavam com suas especialidades: bolinho de bacalhau, bife à milanesa, musse de maracujá, tortas, pães, bolos… e, claro, o fantástico arroz!

Um dia um caçador passando ali por perto sentiu um cheio hipnotizador e foi sendo levado até a casa de Filomena. Bem… bastava que alguém olhasse pra Filomena com outros olhos (mesmo que o da barriga!) pra perceber o talento que estava ali o tempo todo mas que ninguém queria ver. (Oi Flávia e o bobó) A partir daí tudo mudou na vida de todos (todos mesmo!) e não teve um habitante que não tenha se arrependido de ter sido tão preconceituoso com aquela bela cozinheira.

Falei da história. Agora sim, vamos ao livro…

Uma bela publicação da editora Aletria com ilustrações lin-das de Rebeca Luciani. O texto foi escrito numa parceria entre um pai e uma filha: Maurilo Andreas e Sophia Comelli. E sabe o que é legal? Dá até pra sentir a história sendo inventada em família num clima bem gostoso! Consigo imaginar os dois conversando largados no sofá num domingo pós almoço e o diálogo:

– O caçador comeu o arroz da Filomena e achou delicioso.
– Delicioso, não, ele achou fantástico!
– Ele achou fantalicioso!
– Melhor! Ele achou deliciosástico!

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